ARARANDEUA 
 
Em teu leito escrevi  
meus poemas,  
sua águas molhando o meu coração.  
Em teu peito eu abri 
as algemas.  
Que prendiam as cenas 
da minha visão 
trazendo as lendas  
lá do Maranhão.  
 
E se antes Surubiju eras,  
és agora cuidado afinal.  
E nas curvas  
guardadas quimeras,  
doces primaveras,  
lá no meu quintal.  
 
ARARANDEUA!! 
Quantas vezes nesse seu remanso 
eu fiz meu descanso,  
em teu colo pousar.  
E das penas multicoloridas,  
eu fiz despedidas.  
Pranto das amigas 
em seu madrugar.  
 
Canto de aves majestosas,  
margens caudalosas,  
onde moram preguiças 
e namora o Tracajá.  
É peixe que pára na rede.  
Água pura mata a sede 
da minha saudade.  
Na minha vontade.  
De nossa cidade.  
Rondon do Pará.
 
 

                                                     Carlos Pontes

 

Carlos Roberto Pontes, capixaba, marinheiro, 51 anos de idade, Nascido em Vila Velha – ES, escreve desde 1968, tem como inspiração o poeta fluminense Casimiro de Abreu.
Tem poesias publicadas em jornais capixabas e fluminenses . Premiado em concurso de poesias na Bahia. 

 

 

 

SÓ NÃO CHORO.

Não choro

Pra que chorar?

Não brigo

Pra que brigar?

Não grito

Pra que gritar?

Mas bem que eu deveria

Gritar

Brigar

Chorar

Chorar lágrimas

Muitas lágrimas

Lágrimas miraculosas

Que somadas às águas

Águas “Surubijadas”

Águas “Arandeuadas”

Pudessem espelhar

Além das estrelas

Sol

Lua

A nossa própria consciência

Consciência de natureza

Consciência do mundo

Consciência de Deus

Deus consciente

Que conscientizando os homens

(Homens inconscientes)

Não permitisse que houvesse

Nem choro

Nem brigas

Nem grito

Dionísio Almeida

 

 

LAMENTOS DE UMA ÁRVORE MORTA

Que mal fiz?

Que pecado cometi?

A não ser iludir-me com o canto do poeta:

- “Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá...”

Que serão dos pássaros que aninhavam em minhas folhas?

E das pessoas que abrigavam em minha sombra?

E daquelas que admiravam meu porte altaneiro?...

E projetavam seus pensamentos através dos meus galhos rumo aos céus?...

Que serão delas?!...

Nunca mais darei sementes para perpetuar minha espécie!...

Só restarão minhas raízes apodrecidas...

Oxalá sirvam de adubo para outra árvore com mais sorte que eu...

                                                                                               Dionísio Almeida

 

 

MEU RIO, MINHA VIDA.

Nossa água

Nossa alegria

Nosso espelho

 

É em você que eu me vejo

(Sujo ou limpo!)

É quem me espelha

Eu sou você...

 

Sou Ararandeua

Se eu morro, tu morres...

 

Sou Rondon

Meu rio...

Minha vida...

Minha beleza...

Quero ver-te verde...

Azul...

Cristalino...

Vivo...

 

Viva nosso Ararandeua!...

Vivo!

Dionísio Almeida